Luzes e Camélias

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

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Coisa rara é me ver atravessar o pátio do condomínio em que moro. Eu vivo no trajeto elevador - garagem - carro e vice-versa, e acabo nunca andando pelo hall, nem observando o que há para se ver no lugar onde vivo. E aí quando menos espero o fornecedor de gás muda e certa noite me liga o porteiro, todo acanhado e me pedindo desculpas pela inconveniência, e me pede para descer na portaria ainda naquela noite para que eu assine o contrato do novo fornecedor. Eu entendi o recado: o prazo era aquele dia, e o pescoço dele estaria em risco se o prazo estourasse.


Me bateu uma preguiça, mas concordei. Vamos lá: pego o elevador, saio pelo hall, e que surpresa. Os coqueiros em volta da psicina e o pergolado de madeira, que a construtora chamou de "área zen", totalmente decorados com luzes de Natal. É Novembro e já podemos decorar nossas casas com o tema natalino. Meu prédio está lindo desse jeito, iluminado. E eu nem sonhava.

No trajeto até a portaria, outra surpresa. Antes, devo dizer que sou perdidamente apaixonada pelo aroma da Camélia, a flor. Sim, aquela que caiu do galho na música. Para mim ela tem cheirinho de infância e me traz felicidade e segurança. Pois bem. No trajeto, sou tomada por uma fragrância deliciosa de Camélia, que invade a noite quente de Primavera. E novamente vejo que nem fazia idéia da existência da minha flor de aroma favorito em minha própria residência.

Eu sempre me maravilho com as luzes de Natal, e ao sentir o aroma da Camélia, sempre e involuntariamente fecho os olhos, respiro fundo, e agradeço a Deus pela oportunidade de estar ali e me sentir daquela forma. "Obrigada pela flor, por este cheiro bom, por eu poder estar aqui.".

Me senti especialmente agraciada com essas coisas simples, tão perto de mim, e das quais eu estava tão alheia. Agora eu sei. E, num dia ruim, vejo o quanto Deus prepara tudo para que, de alguma maneira, nos sintamos especiais. Tão simples.

Até a próxima. ;D

Motivo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

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O motivo da foto acima? Achei que registrou um momento lindo de inocência e alegria genuína que é inspirador. Motivo: está aí um poema da Cecília Meireles que resume a maneira como encaro minha vida. Em cada verso.
Hoje o dia está ensolarado, celebrando a vida. A rotina segue, e eu canto porque o momento existe!

O poema segue abaixo. Apreciem e reflitam.

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles

Comentem! Até a próxima. ;D

Dia de Sopa na Padaria

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

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Padaria grande e vistosa do bairro Chácara Primavera, cheia de gente na Segunda-Feira véspera de feriado, dia seis de Setembro, à noite. Muitas pessoas comprando pães, doces, leite e itens de conveniência. Mas a maioria delas está reunida em torno do buffet de sopas e torradas - grupos, famílias, amigos, casais. As três garçonetes, morenas de cabelos presos, duas mais velhas e uma mais nova, correm com as carinhas preocupadas, carregando bandejas para servir e canetas com bloquinhos para tirar os pedidos.

A Segunda-Feira é fria e de muito vento. Existe o cardápio recheado de opções – dentre elas sanduíches e pizzas - mas escolher a sopa faz sentido, porque aquece e alimenta. Além disso, é feriado no dia seguinte. É possível demorar, sentar e degustar as opções do buffet. As crianças não têm aula, os pais não trabalham, os namorados podem ficar juntos. Há sopas de sabores variados: frango com mandioquinha, carne com legumes, grão de bico e creme de espinafre. Todas organizadas em panelas grandes de tampa de vidro transparente, colocadas sobre um richaud para se manterem aquecidas. Além das sopas, colocadas sobre pratos espalhados no buffet em formato de “L”, estão torradas, croutons, biscoitos e pães para acompanhar. Tem até sobremesa, um mousse de limão com base de bolo de chocolate. Tudo delicioso e à vontade, por R$18,90. Cumbucas para a sopa, pratinhos para acompanhamentos e sobremesa. Bandejas e talheres para auxiliar – estes últimos, embalados um a um em saquinhos plásticos, passando a sensação de higiene que não sei se é verdadeira.

Na mesa mais próxima do buffet, um grupo de amigos com seus filhos de menos de 10 anos à tiracolo. As crianças não param quietas. São três, dois meninos e uma menina, mas parecem estar em maior número por conta da agitação. Há apenas seus tênis e sandálias espalhados no chão ao redor da mesa para registrar sua presença estável ali. Os pais, quase que donos do espaço e pouco ligando para a algazarra e para a bagunça dos calçados, conversam animadamente – dois homens, duas mulheres. Uma delas, loira, meia idade, cabelos lisos e na altura dos ombros, está sentada e fala alto. Sua camiseta ajustada ao corpo, cor de rosa-choque com a marca “Puma” estampada em pontinhos brilhantes no peito, aliada às suas gargalhadas sonoras, não deixa negar que existe alguma necessidade de chamar a atenção para sua presença.

- Ah, mas no Free Shop vale a pena mesmo. Lá você encontra isso e é muito mais barato. O Free Shop é muito melhor. – diz a mulher de camiseta rosa, em alto e bom tom, deixando todos saberem que ela já viajou para o exterior.

Os homens, sentados de frente para ela, que está ao lado de sua amiga, pouco se fazem notar. Um grisalho, um moreno, ambos usando agasalhos para o dia frio e falando baixo, embora sorrindo. A amiga, de cabelos pretos, cacheados e longos, mas presos, e óculos de grau com lentes finas e retangulares, também é mais discreta. Vestida de preto – saia e blusa de lã - ela levanta algumas vezes para pegar sopa. A loira se mantém no mesmo lugar, sua cumbuca parada. Sua posição é diagonal à mesa, voltada para o lado da amiga, e as pernas, cruzadas. Em certo momento, o menino maior vem falar com a amiga morena, a menininha loira e de vestido vem conversar com a mãe de cabelos da mesma cor, e as gargalhadas ficam mais discretas. O grupo se prepara para ir embora, todos de barriga cheia e felizes.

A padaria também tem um Delivery de pizza, que trabalha a todo o vapor. As pizzas são preparadas na hora de acordo com os pedidos feitos pessoalmente ou por telefone (há uma pilha de folders por sobre o balcão trazendo todos os sabores, com ímas no verso para serem dependurados na geladeira), por dois pizzaoilos que usam chapéus de chefs de cozinha e roupas brancas. Ambos ficam no cantinho da pizza, formado por uma mureta que cerca o canto ao lado do buffet, e é fechada por um vidro, através do qual é possível ver os dois cozinheiros trabalhando freneticamente, e as pilhas de caixas de pizza, recém feitas. Existe um vão no vidro, que possibilita os pedidos de quem vai até a padaria. Ali para um homem de seus 30 anos, alto, moreno ficando careca, barriga em crescimento pela cerveja com churrasco aos finais de semana. Vestido de camisa azul de listrinhas brancas com mangas compridas mas arregaçadas, cinto e sapatos pretos e calça jeans escura, o homem traz óculos de sol pretos sobre a testa de cabelos parcos, e já é noite. Ele conversa animadamente com jeito marrento e sorriso torto com um dos pizzaiolos, enquanto aguarda seu pedido. Fica ali por cerca de 10 minutos, pega sua pizza, e então cai embora em direção ao caixa, peito estufado.

Um trio de amigos chega próximo ao buffet de sopas. Duas mulheres loiras e jovens de cabelos muito curtos, e um rapaz de óculos de grau. Elas analisam o buffet enquanto ele vai guardar a mesa de quatro lugares, defronte o cantinho da pizza. Elas então se juntam ao rapaz, são atendidas pela garçonete, e logo se dirigem ao buffet.

Atrás deles, um casal que parece ser de namorados ocupa uma mesa, um sentado de frente para o outro. Ambos são gordinhos. Eu e meu marido somos o casal que ocupa a mesa atrás deles, e estamos sentados na mesma posição. Da onde me sento, consigo ver bem somente a mulher, de costas para mim. Ignorando o frio, ela usa camiseta esverdeada de mangas curtas, bermuda bege e sandálias sem salto de plástico roxo, com os cabelos enrolados longos, pretos e cheios, presos. Se senta meio de lado, uma das pernas esticada para a sua direta. Ela é displicência, desânimo e falta de disposição. Quando me levanto para pegar minha sopa, consigo ver seu olhar perdido, mão levada à boca mordendo as unhas. O homem gordo de regata branca e short puído à sua frente pouco demonstra reação, e olha para o nada. Suas bandejas repousam com as cumbucas sobre a mesa, já cheias e de novo esvaziadas, as sopas já no estômago. Os dois pouco conversam. Ficam ali, fazendo tempo.

Há mais pessoas ao meu lado, atrás de mim, no segundo andar de mesas da padaria que também tem uma brinquedoteca, e também na seção de pães e produtos em geral. A padaria está mesmo cheia e é agradável estar ali, compartilhando daquele local de frescor e simplicidade. Mas já tomei minha sopa, comi pãezinhos e a sobremesa, meu marido comeu seu sanduíche de hambúrguer de picanha e queijo na falta da sopa preferida de creme de palmito, e nos levantamos para irmos embora, para casa.

É noite e faz frio, e nosso sofá quentinho nos espera, com CQC na televisão. Que delícia.

Eu te amo, poesia!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

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Hoje vou postar um poema meu, antigo até, mas sempre atual para mim.
Comentem!
Beijosss e até a próxima!

Poesia Minha

Em tudo está,
Tudo contém.
É alento - e o dá
Ao mundo que lhe convém,

Não necessita de rimas,
Ainda que sejam belas,
Mas as tornam obras-primas
E nos fazem loucos por elas,

É alimento, é saída,
A esperança de um dia,
É o sonho de uma vida,
É a eterna poesia!

O lirismo,
Alegria,
O sarcasmo,
Sinfonia!

Eu te amo, poesia!

De volta ao blog, para ficar!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

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Hoje é meu aniversário, e acabo ficando pensativa...Quantas voltas a vida pode dar? E quantas vezes se pode voltar ao começo? Muitas... É preciso ter coragem e humildade para ver no recomeço o mar de possibilidades, ainda que pareça tarde. Sem perder a essência. A alma.


Nesse mundo recheado de pessoas impressionantes e situações fantásticas, em variados sentidos, o que Deus criou é o que realmente fica. A cada nascer do Sol, abrir de flores, troca de estações, soprar de ventos, a cada sorriso, nascimento, morte, um segundo passa e um coração bate, pessoas são felizes, se conhecem, brigam, choram, fazem filhos e filmes e roupas e olhares. Tudo começou com Ele.


E à Ele agradeço por minha vida e a chance de estar em meu aniversário com quem amo! Já me sinto presenteada pelo dia lindo, ensolarado e quente (como eu amo) que surgiu agora, após uma manhã cinzenta e fria. Sou um girassol. ;)

Até a próxima - acompanhe o blog pois os textos ficarão frequentes, e vem muita novidade por aí!

Paixão: minha vida

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

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Resolvi assumir completamente o fato de que escrevo sobre o que sinto, que isso me faz bem, e que consigo transmitir algo de bom para os outros com minha forma de expressão.
E não necessariamente precisa ter um fundo científico ou ser genérico o suficiente para atrair multidões.

Basta que quem leia se identifique e sinta algo de bom.

A coisa aqui é o sentimento; daí o título deste post. Sou movida à paixão, essa é minha forma de viver e ver o que e quem me rodeia. É preciso ser racional, mas eu procuro separar as coisas. E de resto no que posso, coloco paixão mesmo.

E veja, paixão é até competência fundamental na empresa onde trabalho. Ela diz: "Passion for the business". Se até paixão pelo negócio eu preciso ter, porque não paixão ao escrever e me colocar aqui, neste espaço de palavras esporádicas?

Eu escrevo isso sim, e é o que me faz feliz.

Se não é interessante para você; tudo bem, há muito que se ler por aí.
Se lhe atrai, vamos comigo.

Até a próxima. =D

A Mais Bela Visão do Amor

domingo, 13 de setembro de 2009

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Voltando ao blog em grande estilo... trazendo uma das passagens mais bonitas do livro mais importante do mundo: a bíblia sagrada.
Leiam, reflitam... deixem que fique no coração o que a rotina do mundo insiste em tirar.
Bjos e até já.

Coríntios 13 (carta de São Paulo aos Coríntios)
1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.